MEU TRAVESSEIRO
Nem grande e gordo, nem mesmo plumoso
Nem com babados, trançados e arestas,
Nada disto importa em minhas sestas,
Que não é luxo que nos traz o repouso.
Deixe-me o velho travesseiro, ora esta!
Mesmo em trapos ele me traz o gozo
Do sono, e é tão suave, é tão bondoso
Na ternura de sua paina modesta.
Porém aos braços é preciso a amada,
Seja no amor da noite desvairada,
Seja no doce instante do descanso,
Sempre! Senão só resta o abraço manso
No velho travesseiro, então tristonho,
E o desejo que venha a amada em sonho.
Nem grande e gordo, nem mesmo plumoso
Nem com babados, trançados e arestas,
Nada disto importa em minhas sestas,
Que não é luxo que nos traz o repouso.
Deixe-me o velho travesseiro, ora esta!
Mesmo em trapos ele me traz o gozo
Do sono, e é tão suave, é tão bondoso
Na ternura de sua paina modesta.
Porém aos braços é preciso a amada,
Seja no amor da noite desvairada,
Seja no doce instante do descanso,
Sempre! Senão só resta o abraço manso
No velho travesseiro, então tristonho,
E o desejo que venha a amada em sonho.
Rio de Janeiro, setembro de
2015
SONETO DE SAUDADE
Embora se foi, afora pelo
mundo,
Parou no Pará, parou em
Paris.
Bem foi por aí, pra onde aponta
o nariz.
Embora se foi, pareceu um
segundo...
Quem do chão busca as
estrelas sutis
Talvez seja também um
gira-mundo,
Mesmo estando só em um bar
vagabundo,
Sonhando qualquer coisa
distante e feliz.
Não sei... sei que ando ao
longe, o olhar ausente...
Na terra da saudade, da
esperança
Caminhando leve e
longinquamente...
Vem de lá esta brisa que faz
viver
As brasas que guardo de sua
lembrança.
Eu neguei o tempo... e não
quis te esquecer.
Rio de Janeiro, julho de 2015
SONETO À MENINA TATUADA
QUE VENDE DOCES
Quem é ela que de repente...
quem é ela?
Que, sem saber que me vem
fácil a fantasia,
E que em tudo busco a beleza
e a poesia,
Me faz querer seu beijo de
maçã e canela.
Não bastasse saber dos
temperos a alquimia
E dominar o ofício dos doces
e sabores,
Ainda guarda no colo um
caminho de flores
E no olhar o mistério, o
sonho, a melancolia.
Some-te daqui, que não
agüento mais amores!
Mas o coração me trai: linda,
linda, linda...
Quem é você, será que te
encontro ainda?
À noite, em sonho, percorri o
caminho de flores
E amanheci sorrindo. Nos
olhos, os olhos dela
E nos lábios um gosto de maçã
e canela.
CANÇÃO À FLAUTISTA QUE TOCA
TERNURA
Brejeiro, Carinhoso,
Assim mesmo, Vou vivendo...
E quando Ternura...
Sua flauta me fez chorar de
ternura.
Recordando os velhos tempos,
Amor e medo, Saudade...
E quando Ternura...
Sonhei dos beijos seus a
terna ventura.
Mas não, era só ilusão,
Que os sonhos vêm e vão...
Mas não, era só ilusão
De amor, quanta
candura...
Flauta, violão e cavaquinho,
Silencioso, Magoado...
E quando Ternura...
Perguntei-me se acabou a
eterna procura.
Choro negro, Vibrações,
Fala baixinho, Lamentos...
E quando Ternura...
Imaginei do seu amor a linda
loucura.
Mas não, era só ilusão,
Que os sonhos vêm e vão...
Mas não, era só ilusão
De amor, quanta
candura...
Quanta ternura...
poemas debruçados à janela
I
Ontem não havia nuvens no céu
de minha janela,
Ainda assim as estrelas se
cobriam
Não sei se de fuligem, pudor
ou tristeza
Apenas – mão no queixo –
olhava um céu sem vida...
Nem fui – pés descalços –
andar nas ruas
Que louco é quem anda assim
na noite
Tampouco – braços abertos –
olhei pra cima esperando a chuva
Que é dos ainda meninos se
banhar assim
Mas então me veio a moça de
olhos enluarados e me amanheceu o dia:
– Ontem a lua sorria no céu
com um desenho de criança
Então sorri como um doente
que agora dança
Sentimento de estrelas numa
noite escura...
Hoje – moleque levado – vou
esperar a chuva
Chuva de água, de estrela, de
imensidão
E – louco desvairado – vou
andar de pés e coração despidos
A fazer versos e confissões
de amor
Hoje à noite vou sair pra ver
a lua...
E se ela não aparecer vou
desenhá-la na janela
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